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Alex Jumbers

Cornélio Procópio - PR

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Atualizado em 17-02-2022 às 16:26:43

Moradora de Petrópolis volta a local de desabamento para resgatar quadro com foto do pai.


No início da tarde desta quinta-feira (17), Guiomar Flávia, de 42 anos, andava entre os escombros do bairro do Alto da Serra, uma das regiões mais atingidas pela chuva que destruiu parte de Petrópolis, na Região Serrana do Rio. Nas mãos, o quadro com a foto do pai ainda criança.

"É uma lembrança. Ele gostava muito desse quadro e sempre me pediu para mantê-lo pendurado na parede da sala. Estou levando e, quando tiver um lugar para morar, vou fazer a vontade dele".

 O resgate do quadro e o cumprimento da promessa feita ao pai é o momento mais recente de uma sequência de horas de desespero que começaram na tarde de terça-feira (15), quando a tempestade atingiu Petrópolis.

"Estava presa dentro da rodoviária, tentando chegar em casa. Minha mãe e minha filha estavam em casa. Minha filha me ligou dizendo que o morro estava desabando. Disse para que as duas saíssem de casa. Ambas conseguiram fugir", conta ela.

"Pedi ao motorista para me deixar descer, mas ele não queria – disse que, do lado de fora, havia fios de alta tensão na água. Só que, com minha mãe e minha filha aqui, não quis saber e desci assim mesmo. Encarei tudo e consegui chegar aqui às 19h30", acrescenta.

 A casa onde a família vivia permaneceu de pé. No entanto, ela sabe que morar no imóvel não é mais uma alternativa.

 

"A casa está inteira, mas não dá mais para ficar lá. Tudo aconteceu perto demais. A gente sabe que ainda tem pedras para descer do morro, pedras para rolar, basta chover mais uma vez".

 O número de mortos em Petrópolis após a tempestade de terça (15) chegou a 106 até as 13h desta quinta-feira (17). Dos 101 corpos que estão no Instituto Médico Legal (IML), 65 são de mulheres e 36 de homens. Desses, 13 são menores. Ao todo, 33 corpos foram identificados.

FONTE: G1 NOTÍCIA



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